Consultoria, agente, trading e inspetora: quem é quem

Antes de comparar empresas, vale comparar funções. As quatro figuras abaixo aparecem misturadas em sites, anúncios e listas de “melhores”, e muitas empresas fazem mais de uma coisa. O que importa é saber qual delas você está contratando em cada etapa, porque é isso que diz quem responde quando algo sai errado.

FiguraOnde estáO que fazComo costuma ser pagaResponde por
Consultoria de importaçãoNo Brasil, com equipe ou parceiros na ChinaDesenha a operação: encontra e qualifica fornecedores, negocia, organiza a inspeção e orienta a conformidade e a modalidade de importaçãoHonorário pelo serviço, fixo ou por projeto, às vezes com parte variávelA qualidade do trabalho que prestou. Não é a dona da mercadoria
Agente de compras (sourcing agent)Na ChinaProcura fornecedores, negocia no idioma, acompanha a produção e consolida a cargaComissão sobre a compra ou taxa por serviçoO que estiver no contrato, quase sempre sob a lei chinesa
Trading company (importadora)No Brasil, habilitada no Radar SiscomexÉ a importadora na declaração: faz o câmbio, o despacho e emite a nota fiscal, por conta e ordem ou por encomendaTaxa sobre a operação ou margem na revendaAs obrigações fiscais e aduaneiras da importação
Empresa de inspeçãoNa China, com inspetores locaisVerifica a fábrica ou o lote contra uma especificação e emite um relatórioValor fixo por dia de inspetorO relatório. Não negocia nem escolhe o fornecedor

Na prática, uma mesma empresa pode juntar duas ou três destas funções. Não há nada de errado nisso, desde que fique escrito qual papel ela exerce em cada etapa. Para entender a diferença entre importar em nome próprio e por meio de uma trading, o guia de importação por conta e ordem explica as três modalidades.


A pergunta que separa todas: quem responde se der errado

Se você levar uma só pergunta para a primeira conversa, leve esta. Preço, simpatia e portfólio pesam menos do que saber o que acontece no dia em que o lote chega com defeito. A resposta tem três partes:

Na conversa, todo intermediário diz que responde. O que separa uns dos outros é aceitar pôr as três respostas no contrato e já ter mostrado, antes de fechar, um relatório de inspeção real. Em Yiwu, onde o agente de mercado faz parte do sistema, este é o primeiro filtro de todos.

Há ainda o preço fechado: o intermediário compra e revende a você, e nesse caso ele é o seu fornecedor, não o seu representante. É um arranjo legítimo quando é declarado, e muda a quem você cobra: a garantia da mercadoria passa a ser dele, como a de qualquer vendedor.


Sete critérios para comparar consultorias de importação

01 Presença na China que se possa verificar

Uma consultoria que só opera a partir do Brasil depende de terceiros para tudo o que acontece na fábrica. Pergunte quem vai à fábrica, se é funcionário ou parceiro contratado, e em que cidades trabalha. Se a empresa diz ter escritório na China, peça a licença de funcionamento (营业执照, a business license): toda empresa chinesa tem uma, com um código unificado de crédito social de 18 caracteres que se confere no sistema público de informação de crédito das empresas (国家企业信用信息公示系统). Quem trabalha com parceiros, e não com escritório próprio, deve dizer quem são.

02 Empresa brasileira e contrato brasileiro

Do lado de cá, o mínimo é um CNPJ ativo, com atividades compatíveis com o serviço, e um contrato em português com foro no Brasil. O comprovante de inscrição do CNPJ é público no site da Receita Federal e mostra a situação cadastral e as atividades declaradas. Um intermediário que só existe como empresa estrangeira, ou como pessoa física, deixa você sem a quem recorrer aqui.

03 Escopo por escrito, etapa por etapa

“Consultoria de importação” é um nome largo. Uma empresa faz só a busca de fornecedores; outra acompanha até o contêiner chegar. Peça a proposta por etapa: busca e qualificação de fornecedores, negociação, amostras, inspeção, conformidade, logística e desembaraço. Em cada uma, o que é entregue, em que prazo e o que não está incluído. O que não está escrito não foi contratado.

04 Um exemplo de entrega real

Peça um relatório de auditoria de fábrica ou de inspeção de lote já entregue a outro cliente, com os dados do cliente ocultos. Um relatório sério tem fotos com data, medições, o critério de amostragem usado (normalmente a tabela AQL da norma ISO 2859-1) e uma conclusão clara de aprovado ou reprovado. Quem não consegue mostrar nenhum modelo provavelmente não tem um padrão. O guia de inspeção antes do embarque mostra o que um relatório deve conter.

05 Conhecimento do muro regulatório brasileiro

O fornecedor chinês não sabe o que é Inmetro, Anatel ou Anvisa, e não tem obrigação de saber. Quem precisa saber é o seu intermediário. Um teste simples: descreva o seu produto e pergunte que certificação ele exige no Brasil e quem a providencia. Se a resposta for vaga, ou se a conversa só falar de preço e frete, o risco de carga retida é seu. Os guias de produtos com Inmetro e de homologação Anatel e Inmetro dão a medida do assunto.

06 O fornecedor é seu, não do intermediário

Ao fim do trabalho, você deve saber o nome legal da fábrica, o endereço e o contato direto. Há intermediários que escondem o fornecedor para que o cliente não possa comprar sem eles, e isso deixa você refém: se a relação acabar, a cadeia de fornecimento vai junto. Vale combinar no contrato que os dados dos fornecedores qualificados pertencem a você, e se haverá exclusividade ou carência para comprar direto.

07 Referências que atendam o telefone

Depoimento no site não é referência. Peça dois ou três clientes que aceitem uma conversa curta, de preferência do seu setor. Procure também a empresa no Reclame Aqui, e quem a dirige no LinkedIn: o histórico profissional de quem vai cuidar da sua importação diz mais do que a página institucional.


As perguntas da primeira reunião

Cada pergunta abaixo tem uma resposta boa e uma que deve acender o alerta. Vale fazê-las a todas as empresas que estiver comparando, e anotar as respostas.

  1. Já trabalharam com o meu tipo de produto? Em que região da China ele é fabricado?
  2. Quem vai à fábrica: um funcionário de vocês ou um parceiro?
  3. Posso ver um relatório de inspeção já entregue, sem os dados do cliente?
  4. Que certificação o meu produto exige no Brasil, e quem a providencia?
  5. Vou saber o nome e o endereço da fábrica? Posso comprar direto depois?
  6. O pagamento vai para a conta da fábrica ou para a de vocês?
  7. Se o lote for reprovado na inspeção, o que acontece, e quem paga a nova inspeção?
  8. Em que modalidade a importação vai ser feita, e quem aparece como importador na declaração?
  9. O que não está incluído no preço que me passaram?
  10. Qual foi o último problema sério com um cliente, e como resolveram?

A última pergunta é a mais reveladora. Toda empresa que importa da China há algum tempo já teve um lote ruim, um fornecedor que sumiu ou uma carga parada. Quem diz que nunca teve problema ou não está sendo franco, ou fez poucas importações.


Sinais de alerta: quando desistir na hora

Pedido para pagar numa conta pessoal, ou na conta do intermediário sem explicação. O pagamento deve ir para a conta da empresa que emitiu a proforma, com o mesmo nome da licença. Mudança de dados bancários por e-mail ou mensagem é golpe até prova em contrário. Ver como pagar fornecedores chineses.

Proposta sem escopo. “Cuidamos de tudo”, sem dizer etapa por etapa o que está incluído, é uma promessa que não se cobra depois.

Promessa de resolver a certificação “do lado de lá”. Inmetro, Anatel e Anvisa são processos brasileiros, com um responsável brasileiro. Ninguém resolve isso só na China.

Recusa em mostrar a fábrica. Uma videochamada ao vivo na linha de produção, com a câmera percorrendo o chão de fábrica, é um pedido simples. Foto de catálogo não é fábrica.

Sugestão de declarar um valor menor, ou de pôr outra empresa como compradora. Subfaturamento e ocultação do comprador real (a interposição fraudulenta) são ilegais, e quem responde é você.

Pressão para fechar já. Fim de feira, promoção ou “último lote”: nenhuma importação séria precisa de decisão no mesmo dia.


O que precisa estar no contrato

Um contrato curto e claro protege mais do que um longo e genérico. Os pontos que fazem falta quando algo dá errado são estes:


Por que as listas de “melhores consultorias” não resolvem

Quem pesquisa “melhores empresas de consultoria de importação” encontra listas, e boa parte delas foi escrita por uma das empresas listadas, ou paga por elas. Consultoria de importação não é profissão regulamentada no Brasil (o despachante aduaneiro é, e tem registro na Receita Federal), e não há ranking oficial. Isso não é motivo para desconfiar de todas, mas é motivo para usar qualquer lista só como ponto de partida.

O que se confere por conta própria, numa tarde:

A empresa que passa nos cinco é uma candidata séria, esteja ou não em alguma lista.


Contratar a operação inteira ou só uma etapa

Nem toda importação precisa de consultoria do começo ao fim. A escolha depende do que você já tem resolvido:

A sua situaçãoO que costuma bastar
Primeira importação, sem fornecedor nem estruturaConsultoria de ponta a ponta, com a importação feita por uma trading
Já tem fornecedor e quer reduzir o risco do loteSó a inspeção antes do embarque
Vai trocar de fornecedor ou aumentar muito o volumeAuditoria de fábrica antes do primeiro pedido grande
Produto sujeito a Inmetro, Anatel ou AnvisaOrientação de conformidade antes de negociar
Quer ver o mercado e escolher pessoalmenteAcompanhamento em feira, com agenda e intérprete
Compra variedade de muitos fornecedores pequenosAgente de compras com consolidação de carga

Contratar por etapa é também a melhor forma de testar um parceiro: uma inspeção bem feita diz muito sobre como seria a operação inteira. O guia de como verificar um fornecedor chinês cobre a outra metade da escolha, que é a da fábrica.


Onde a BCVN se encaixa

A BCVN é uma consultoria de importação com sede em Joinville (SC), em atividade desde 2008, que atende empresas e revendedores, e não pessoa física nem compra avulsa. Cobre estas etapas: busca e qualificação de fornecedores, negociação em mandarim, auditoria de fábrica, inspeção antes do embarque, orientação de conformidade e acompanhamento em feiras como a Canton Fair e a de Yiwu. Os serviços podem ser contratados juntos ou separados, e a página da consultoria de importação descreve cada um.

Faça à BCVN as mesmas perguntas deste guia. É assim que se escolhe bem qualquer consultoria, inclusive esta.


Perguntas frequentes sobre consultoria de importação

Qual a diferença entre consultoria de importação e agente de compras na China?

A consultoria de importação costuma estar no Brasil e desenha a operação inteira: encontra e qualifica fornecedores, negocia, organiza a inspeção e orienta a conformidade e a modalidade de importação, cobrando um honorário pelo serviço. O agente de compras está na China e cuida da parte de lá: procura fornecedores, negocia no idioma, acompanha a produção e consolida a carga, normalmente por comissão sobre a compra. Muitas empresas fazem as duas coisas. O que importa é saber qual papel cada uma exerce na sua operação, e quem responde por cada etapa.

Como saber se uma consultoria de importação é confiável?

Confira o CNPJ na Receita Federal, o perfil no Reclame Aqui e o LinkedIn de quem dirige a empresa. Peça um relatório de inspeção já entregue, sem os dados do cliente, e dois clientes que aceitem uma conversa. Pergunte quem vai à fábrica e, se a empresa diz ter escritório na China, peça a licença chinesa. E peça por escrito o que acontece se o lote for reprovado na inspeção. Uma empresa séria responde a tudo isto sem desconforto.

Basta contratar um agente de compras na China?

Depende do que você compra. Para muita variedade de fornecedores pequenos, como em Yiwu, o agente local resolve idioma, conferência e consolidação de carga, e é quase indispensável. Para um produto técnico, que exige certificação no Brasil, ele costuma não bastar: o agente cuida do lado de lá, e alguém precisa responder pela especificação, pela inspeção e pela conformidade do lado de cá. Em qualquer caso, peça o escopo por escrito.

Preciso de Radar Siscomex para contratar uma consultoria de importação?

Não para contratar a consultoria. O Radar é a habilitação para operar no comércio exterior, e quem importa em nome próprio precisa dele. Quem não tem estrutura pode importar por uma trading, nas modalidades por conta e ordem ou por encomenda. Mesmo assim a sua empresa precisa de habilitação como adquirente ou encomendante, mas usa a estrutura da importadora, e a consultoria ajuda a escolher a modalidade certa para o seu caso.

Quanto custa uma consultoria de importação da China?

Depende do escopo, e por isso propostas diferentes não se comparam pelo valor final. Há honorário fixo por projeto, percentual sobre o valor da compra, valor por dia de inspeção e combinações destes modelos. Para comparar, peça a todas o preço por etapa e o que fica de fora. Os outros custos da operação, como frete, impostos e certificação, costumam pesar mais do que o próprio serviço.

A BCVN — Brasil China Viagens e Negócios conecta empresas brasileiras aos melhores fornecedores da China e Ásia desde 2008. Conheça nossos serviços de intermediação comercial, inspeção de qualidade, auditorias de fábrica e viagens de negócios guiadas às principais feiras chinesas.

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